Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

PS e a Esquerda

 

Há alguns anos que reflito sobre se existirá ou não "espaço" para a existência de um Partido que permita ao PS formar um governo de maioria, um puro parceiro de coligação, tal como o CDS já foi no passado recente e é actualmente para o PSD.

 

Continuo a achar o mesmo que quando comecei a pensar no assunto. Na minha opinião, há espaço político e eleitoral - talvez não ideológico - para o surgimento desse Partido, que pode equilibrar a balança de Poder na Esquerda portuguesa e que é principalmente do interesse do Partido Socialista.  

 

Os Partidos que temos no espectro político nacional, que contam para o sistema de partidos e que se podem enquadrar na designada Esquerda (PCP, Partido Ecologista os Verdes e Bloco de Esquerda) não têm servido nem servirão - pelo menos num futuro próximo - sequer para fazer alianças pontuais parlamentares com o maior partido da oposição, quanto mais para integrar um executivo com este.

 

 O Partido Comunista tal como existe e foi concebido não é susceptivel à mudança e acaba por não renovar eleitorado, mantendo permanentemente um discurso que se auto exclui da governação, defendendo ideias e políticas em que muitas pessoas se revêem mas que acabam por não subscrever nas urnas sobretudo pela excessiva inflexibilidade e obsoletismo conceptual.

O BE, com uma queda substancial e progressiva dos resultados no(s) último(s) momento(s) eleitoral(ais), com a criação deste novo Partido, provavelmente acabaria por desaparecer. Continua a ser um partido de causas-bandeira, que se bate por questões polémicas momentaneas e radicais que tentam capitalizar cidadãos revoltados (essencialmente jovens) com o paradigma instalado e que não consegue descolar da imagem da "esquerda-caviar" que não é coerente no pensamento e na acção e que se revela desonesto intelectualmente.

 

Com a repartição de votos à direita, entre o PSD e o CDS, mais racionais, pragmáticos e menos milagreiros, o PS dificilmente irá conseguir (é certo, dependendo também da liderança) sozinho uma maioria absoluta.

 

Com a acentuada onda anti-partidos, a enorme perda de rendimentos e direitos sociais das pessoas, o sentimento de que na classe política "são todos iguais", e o passado ainda fresco na memória do legado socialista, um Partido com uma presença vincada de personalidades genuinamente de esquerda vindas de todos os sectores da sociedade civil iria trazer riqueza ao debate político, mais soluções, um governo que não caisse tão facilmente pelo insuficiente apoio popular e que acabaria por dar origem a um novo eleitorado que não se identifica com nenhum dos partidos sentados à esquerda no Parlamento português.

 

Se nas eleições Presidenciais houve um candidato apoiado pelo PS e um ex-dirigente histórico do PS a concorrer em simultâneo, porque não ousar entrar por terreno "legislativo" ainda não explorado?

 

 

 

 

 

publicado por polideias às 17:37
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